Não precisa sangrar para crescer: pare com a cultura do “é muito difícil”

Quantas vezes você chegou para sua liderança pedindo orientação de como evoluir na carreira e a resposta foi algo como “não é fácil, precisa penar muito, existe uma estrada repleta de espinhos, você deve carregar algumas pedras, passar por um lago de lava, andar sobre as águas, voar sobre os céus, ser o progenitor de crianças bonitas e ser amigo de todo mundo da firma, faça isso alguns anos e será recompensado”, talvez não com essas palavras, confesso que sou meio exagerado, mas quantas vezes ouviu respostas com essa intenção? A intenção que mais parece um incentivo para buscar outro emprego?

As vezes a impressão que dá é a de que a pessoa não quer que a gente evolua, como se tivesse receio do nosso desempenho futuro, e nos deixa em banho maria, quem nunca se sentiu assim?

Os antigos (Boomers) acreditavam em uma carreira era resultado de muito esforço, luta, dor e sangue. Essa geração viveu tempos difíceis do pós guerra, períodos de altíssima escassez, que gerou um sentimento de “a vida não é fácil”.

Essa geração no geral é formada por nossos pais ou avós dependendo da sua idade, e por mais que a geração Y e Z tenham vindo com uma pegada diferente, muita coisa ainda respinga, por conta de uma criação a mão de ferro.

A grande questão é que eu não acredito que essas gerações estejam ligadas apenas a idade das pessoas, para mim é uma questão de mentalidade.

O que isso tem a ver com seu trabalho? Dependendo da criação que sua liderança teve, ela pode vir a crer que papéis de liderança devam ser alcançados apenas por aqueles que sofreram muito para chegar ali, muitas vezes eles se colocam nesse lugar sofrimento ou vitória, parte por ser vitimista, ou por ter um sentimento de vingança e querer descontar em alguém todo o “sofrimento” que teve para chegar até ali, ou parte por querer reconhecimento e tentar capturar do seu liderado o sentimento de “inspiração”, os motivos são vários.

Se um dia você virou para um liderado e tentou tornar complexo demais o caminho para se chegar onde ele quer pare agora e reavalie seu papel como gestor, talvez você precise mudar seus conceitos e ideias a respeito.

A minha missão é fazer com que mais e mais pessoas do meu time avance e conquiste seus objetivos, meus olhos brilham quando vejo meu time evoluindo, se posicionando, sendo reconhecido pelos outros, e faço de tudo para que eles se tornem bons líderes, que eles se tornem meus pares, e por que não meus líderes? Esse é o papel da liderança: abrir caminhos, facilitar, dar a mão, ensinar a andar de bike na expectativa que em breve te ensinem a dirigir um Porsche.

Não sou um guru da gestão, mas passei por momentos nos quais quase sai de boas empresas e áreas (ou sai, você nunca vai saber hehehe) porque minha liderança me vendeu um caminho “árduo demais” para conquistar meus objetivos, e isso gera um efeito contrário, ao invés de gerar admiração , você vai gerar um pouquinho de ranço (palavra forte, mas é o sentimento do momento) e com isso poderá perder boas pessoa do seu time.

Não digo que é fácil crescer, dar próximos passos, ser promovido, de fato não é, mas o que mostro para meu time é que é um processo, um passo de cada vez, pego na mão mesmo, explico como funciona cada etapa e a importância de não pular nenhuma, sou transparente e claro.

Não sei se estou fazendo certo ou errado, só sei que jamais vou chegar para ninguém que estiver comigo e dizer “é difícil”, ao invés disso sempre estarei pronto para dizer “vamos planejar?”, porque na realidade não passa disso, planejamento.

Se você tem o privilégio de ter um time lidere, crie rotas, planos, alternativas.

Se sua vida foi difícil (a minha foi para caramba) use todo aprendizado e vitória para tornar a vida dos seus liderados melhor e mais fácil, não queira descontar neles o que não deu certo ou foi difícil para você.

Sobre Mim

Paulistano de família humilde, perdi meus pais cedo e lutei muito para chegar onde estou, e adianto que não é nem metade do caminho de onde vou chegar, já fui vendedor de algodão doce, dvd pirata (não me orgulho do produto, mas me possibilitou fazer faculdade), balas em semáforos e barzinhos, cozinhas, garçom, lan house, mercadinho até chegar no meu primeiro emprego em uma multinacional (Accenture te amo pela oportunidade).

Quero compartilhar de forma simples e didática o conhecimento que venho adquirindo no desenvolvimento de software e transformação digital no decorrer dos meus mais de 10 anos de carreira, tendo atuado em grandes projetos de TI na Vale, Claro, Net, Comgás, Kroton, Rede, Cielo, Safra, Santander, Mapfre e na minha empresa do coração (e atual) Itaú.

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